Por uma dança conectada
Por uma dança conectada
“ L ´émancipation commence quand on remet en question l´opposition entre regarder et agir (…)” Jacques Rancière
A ação cultural que prevê a difusão da dança contemporânea como linguagem artística é uma tarefa permanente do SESC SP. Na Bienal SESC de Dança isso se intensifica, com a presença concentrada de trabalhos coreográficos em Santos, SP. Sempre com um tema norteador, o evento já passou por: “Realidades e incentivos na Dança no Brasil” (1998), “Corpo Social” (2000), “Co-Autoria cultural” (2002), “Corpo brasileiro” (2004), “Memória que se inscreve” (2007) e agora em 2009 se debruça sobre as “Conexões”.
A escolha do tema CONEXÕES proporcionou um recorte com objetivo de agregar e discutir possibilidades. As formas de conexões em dança acontecem desde a sua relação mais óbvia a partir da temática dos trabalhos escolhidos até pela maneira como foi feita a seleção – tivemos conferências pela internet com profissionais da dança do Brasil inteiro, num encontro que só seria possível graças à tecnologia conectiva da rede. A própria produção e realização da Bienal, acontece em rede dentro do SESC SP, que movimenta e distribui as informações, garantindo que os artistas, pesquisadores e principalmente o público tenham acesso a uma programação de qualidade, com respeito, dignidade e excelência.
A oportunidade de ter trabalhos inscritos e contar com a presença de convidados externos para compor uma equipe de seleção foi um exercício interessante, que culminou em reflexões acerca das diferenças entre curadoria e seleção temática. A figura do curador (do latim curatore, aquele que cuida ou administra em nome de outrem, tutor) tem sido incumbida de sugerir e orientar o conteúdo de eventos e festivais de dança, a partir de temas e critérios estabelecidos por ele mesmo ou pela instituição promotora do evento. A principal diferença com a seleção temática, diz respeito à uma unidade conceitual que permeia todas as obras, ou que se identifica na composição geral da programação.
Nesta Bienal, optamos por selecionar trabalhos que de alguma maneira se conectassem com o tempo e com o espaço. O tempo entendido como o tempo-presente, o momento exato da feitura da dança e do movimento em relação direta com o espectador. O espaço, sugerido como a materialidade que cerca os corpos e que influência diretamente na maneira como a dança acontece.
Escolher, selecionar, recortar é um exercício que exige posicionamento. Esse posicionamento, por sua vez, é um jogo complexo entre o que se vê e o que se deseja ver, causando algumas contradições que permitem, de maneira sutil, que essa experiência produza sentido.
Marina Guzzo- Assistente da Gerência de Ação Cultural- SESC SP
Marina Guzzo, possui graduação em Psicologia pela PUC-Campinas (2001), graduação em Educação Física pela UNICAMP (2002), mestrado em Psicologia Social (”Risco como estética, corpo como espetáculo”) pela PUC-São Paulo (2004) e doutorado em Psicologia Social (”Dança em Ação: política de resistência no ENCARNADO de Lia Rodrigues”) pela PUC-São Paulo (2009). Atualmente é assistente da área de dança na Gerência de Ação Cultural do SESC SP. Atua como professora, bailarina e acrobata em projetos artísticos. Sempre foi fascinada com a possibilidade de voar…











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